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Discos enferrujados num elétrico, porque acontece e o que fazer

Espreite por entre os raios da jante de um elétrico com dois ou três anos. Muitas vezes, o disco de travão não brilha como devia. Tem uma coroa castanha, manchas irregulares ou uma superfície baça, cheia de pequenos poros.

Parece contraditório. Um elétrico usa os travões muito menos do que um carro a combustão e, mesmo assim, os discos degradam-se. A explicação está na forma como abranda.

Travagem regenerativa, o motor que trava

Quando levanta o pé do acelerador, o motor elétrico passa a funcionar como gerador. Converte parte da energia do movimento em eletricidade, que volta para a bateria, e ao fazê-lo cria resistência que abranda o carro. É a travagem regenerativa.

No dia a dia, sobretudo em modo de regeneração forte ou de condução com um só pedal, a maior parte das desacelerações faz-se assim. Os travões hidráulicos, com discos e pastilhas, só entram a sério numa travagem mais forte ou nos últimos metros antes de parar. Nos híbridos acontece algo parecido, em menor escala.

É uma solução eficiente. Recupera energia que, num carro a combustão, se perderia em calor nos discos, e poupa as pastilhas. Mas tem um efeito secundário de que pouco se fala.

Porque a falta de uso estraga os discos

Os discos são de ferro fundido. Basta uma noite húmida ou uma lavagem para ganharem uma película de ferrugem. Num carro a combustão, as primeiras travagens do dia limpam-na. Num elétrico, as pastilhas quase não tocam no disco e a ferrugem vai ficando.

O clima também conta. Perto do mar, a humidade e o sal da maresia aceleram a oxidação, e no Grande Porto muitos carros passam a noite ao ar livre, a poucos quilómetros da costa.

Com o tempo, a oxidação deixa de ser superficial. Forma crostas, cria zonas com aderência diferente e as pastilhas podem vidrar. As pinças, com pouco movimento, também tendem a prender. O resultado vê-se e ouve-se.

  • Ruído metálico ou chiar nas primeiras travagens do dia.
  • Vibração no pedal ou no volante ao travar.
  • Carro a puxar para um lado numa travagem mais forte.
  • Travagem menos eficaz quando mais precisa dela, numa emergência.

A eficácia de travagem é medida na inspeção periódica, e discos muito degradados podem criar diferenças entre rodas. Mais importante do que a inspeção, porém, é o que acontece numa travagem a fundo.

O que pode fazer no dia a dia

Não precisa de abdicar da regeneração, que é uma das vantagens do elétrico. Chega usar os travões de propósito, de vez em quando.

  • Faça com regularidade, em local seguro e sem trânsito atrás, algumas travagens firmes com o pedal a partir de velocidade moderada.
  • Em percursos longos, use durante alguns quilómetros um modo de regeneração mais suave.
  • Depois de lavar o carro, faça algumas travagens leves antes de o estacionar.
  • Se o carro fica parado muitos dias, conte com alguma ferrugem e trave com cuidado nos primeiros metros.

Alguns modelos já têm rotinas próprias para limpar os discos, com pequenas aplicações automáticas dos travões. O manual do seu carro diz se é o caso.

Quando é preciso ir à oficina

Se a ferrugem já formou crostas, se há ruído persistente ou vibração, as travagens de limpeza não chegam. Pode ser preciso limpar e lubrificar as pinças e substituir discos e pastilhas. Numa verificação de travões olhamos para tudo isto e também para o líquido, que num elétrico envelhece como noutro carro qualquer e deve ser trocado a cada dois anos.

Aproveite a mesma visita para um check-up automóvel, que inclui pneus e suspensão, duas áreas que num elétrico trabalham com mais peso do que em muitos carros a combustão equivalentes.

Elétricos e híbridos na Peak Drive Auto

Trabalhamos com viaturas elétricas e híbridas de todas as marcas, nas oficinas de Canelas e da Maia. Explicamos o que encontrámos, apresentamos orçamento e só avançamos depois da sua aprovação.

Um elétrico também tem uma bateria de 12 volts, que alimenta os sistemas de bordo e pode falhar como noutro carro qualquer. Na mesma visita, verificamos o seu estado.

Carro silencioso. Travões prontos.

Perguntas frequentes

A ferrugem nos discos de um elétrico é perigosa?

Uma película leve, que desaparece nas primeiras travagens, é normal. Crostas, ruído ou vibração já indicam que discos e pastilhas não estão a trabalhar bem e devem ser verificados.

Os travões de um elétrico duram mais?

As pastilhas costumam gastar-se menos, graças à travagem regenerativa. Mas discos e pinças podem degradar-se por falta de uso, por isso a verificação regular continua a ser necessária.

Devo desligar a travagem regenerativa?

Não é necessário. Basta fazer de vez em quando algumas travagens firmes com o pedal, em segurança, para manter discos e pastilhas limpos.

O líquido dos travões de um elétrico também se muda?

Sim. O líquido absorve humidade com o tempo, seja qual for o motor. A maioria dos fabricantes indica a substituição a cada dois anos.

Os discos do seu elétrico já ganharam ferrugem? Marque a sua visita pelo formulário de marcação online ou ligue para a oficina de Canelas, Vila Nova de Gaia (227 121 969, chamada para a rede fixa nacional) ou da Maia (229 421 172, chamada para a rede fixa nacional).

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