Num semáforo da Circunvalação, o motor desliga-se sozinho. O rádio continua a tocar, a ventilação continua a soprar e o painel mantém-se aceso. Tudo isso vive da bateria durante aqueles segundos, e é ela que, quando levanta o pé do travão, volta a pôr o motor a trabalhar.
Num carro sem start-stop, a bateria faz um esforço a sério uma vez por viagem. Num carro com start-stop, pode ter de o repetir dezenas de vezes num único percurso urbano. Por isso a bateria é outra. E por isso a troca também é diferente.
Uma bateria que trabalha em cada semáforo
A bateria convencional foi pensada para um esforço curto no arranque. Depois descansa, enquanto o alternador faz o resto. Com o start-stop, a lógica muda por completo, porque a bateria alimenta todos os consumidores com o motor parado, recupera carga em pouco tempo e volta a dar um arranque completo, muitas vezes seguidas, sem margem para recuperar com calma.
Há ainda outro fator. Muitos carros com start-stop aproveitam as travagens e as desacelerações para carregar a bateria com mais intensidade nesses momentos. A bateria tem de aceitar essa carga rápida sem se degradar. Uma bateria convencional submetida a este ritmo perde capacidade depressa e, antes de falhar, o próprio carro começa a desligar o start-stop para se proteger.
EFB e AGM, o que as distingue
Existem duas tecnologias usadas nestes carros. A EFB, sigla inglesa para bateria inundada melhorada, é uma evolução da bateria de ácido líquido, com placas reforçadas que aguentam mais ciclos de carga e descarga. Aparece sobretudo em carros com sistemas start-stop mais simples.
A AGM tem o eletrólito absorvido numa manta de fibra de vidro, entre as placas. Aceita cargas mais rápidas, suporta descargas mais profundas e costuma ser a escolha do fabricante quando o carro recupera energia na travagem ou tem muitos consumidores elétricos.
A regra prática é simples. Se o carro saiu de fábrica com AGM, deve continuar com AGM. Se trouxe EFB, pode levar EFB ou, em alguns modelos, AGM, desde que a centralina seja informada da mudança. Trocar para uma bateria convencional nunca é boa ideia.
Porque é que a centralina tem de saber
Em muitos carros com start-stop existe um sensor junto ao borne negativo da bateria que mede corrente, tensão e temperatura. Com esses dados, a centralina calcula o estado de carga e o envelhecimento da bateria e ajusta a forma como o alternador a carrega.
Quando a bateria é trocada, a centralina continua a achar que tem ali a bateria antiga, já gasta. Registar a bateria nova é dizer ao carro que houve uma substituição e, em muitos modelos, indicar também a tecnologia e a capacidade. Faz-se com equipamento de diagnóstico eletrónico e o procedimento muda de marca para marca. Há carros que não o exigem. Outros não funcionam bem sem ele.
O que acontece se ficar por registar
O carro continua a pegar. É isso que engana. Os efeitos aparecem com o tempo e raramente com um aviso claro no painel.
- O alternador carrega a bateria nova como se fosse velha, muitas vezes em excesso, e isso encurta-lhe a vida.
- O start-stop pode deixar de funcionar ou funcionar só de vez em quando, porque o sistema julga que não há carga suficiente.
- Alguns consumidores, como o aquecimento dos bancos ou do vidro traseiro, podem ser desligados pelo carro para poupar energia.
- Se a tecnologia registada não coincidir com a instalada, uma AGM pode acabar carregada com a estratégia de uma EFB, ou o contrário.
O que se poupou ao saltar o registo perde-se na troca seguinte, que chega antes do tempo.
Como deve ser feita a troca
Uma troca bem feita começa por confirmar o que o carro precisa. A oficina lê a referência original, verifica a tecnologia e a capacidade e escolhe uma bateria equivalente. Em alguns carros é preciso manter a alimentação elétrica durante a troca, para não perder memórias e configurações.
Depois de montada a bateria nova, o registo é feito na centralina e o sistema de carga é testado. Em muitos carros, tudo isto fica resolvido no próprio dia. Na Peak Drive, a substituição da bateria inclui este passo sempre que o modelo o exige, e o orçamento é aprovado por si antes de qualquer trabalho. Pode tratar do assunto na oficina de Canelas ou na oficina da Maia.
Arranque certo. Paragem tranquila.
Perguntas frequentes
Posso pôr uma bateria convencional num carro com start-stop?
Não é recomendável. A bateria convencional não foi feita para tantos arranques seguidos e perde capacidade depressa. O próprio carro tende a desligar o start-stop e a bateria acaba por falhar antes do tempo.
Todos os carros com start-stop precisam de registo da bateria?
Não. Depende da marca e do modelo. Muitos carros com sensor de bateria exigem o registo, outros não. A forma segura de saber é verificar com diagnóstico eletrónico no momento da troca.
Porque é que o start-stop do meu carro deixou de atuar?
Pode ser a bateria a perder capacidade, mas também pode ser o motor ainda frio, a climatização no máximo ou outra condição normal de funcionamento. Se acontece sempre, convém testar a bateria.
Quanto tempo dura uma bateria AGM?
Depende do uso, do clima e de a bateria ter sido registada corretamente. Um carro que faz muitos percursos curtos exige mais da bateria do que um que faz estrada todos os dias. Um teste periódico ajuda a prever a troca.
O start-stop do seu carro deixou de funcionar? Marque a sua visita pelo formulário de marcação online ou ligue para a oficina de Canelas, Vila Nova de Gaia (227 121 969, chamada para a rede fixa nacional) ou da Maia (229 421 172, chamada para a rede fixa nacional).

